Entre a foice e o compasso – Socialismo e Maçonaria na trajetória de Everardo Dias (1903-28)

Tese de doutorado apresentado ao Programa de Pós-Graduação História da Universidade Federal de Santa Catarina, como requisito à obtensão do título de doutor, orientada pelo Prof. Dr. Waldir José Rampinelli.

Esta pesquisa tem como objetivo discutir a atuação política de Everardo Dias em sua relação com organizações e publicações anticlericais, operárias e socialistas, durante a Primeira República, aproximadamente entre 1903 e 1930. Serão analisadas algumas publicações que contaram com a colaboração de Everardo Dias, especialmente aquelas em que atuou como editor, como o jornal O Livre Pensador (1903-15) e a revista Clarté (1921). Também será analisado, por meio dos textos produzidos para a imprensa operária, o processo que levou à sua expulsão do país, em função de sua participação na onde de greves ocorrida entre 1917 e 1919. Por fim, será discutida sua aproximação ao Partido Comunista do Brasil (PCB), no contexto de consolidação do partido no cenário político brasileiro e em sua relação com outras correntes políticas. A escolha por essa temática se justifica, em primeiro lugar, pela possibilidade de investigar as particularidades da trajetória de Everardo Dias em comparação com outros militantes anticlericais, socialistas e comunistas nas primeiras décadas do século XX. Por outro lado, essa abordagem permite analisar as concepções de socialismo elaboradas no período. No caso de Everardo Dias, pode-se dividir sua atuação pública em três fases que, em algumas situações, se sobrepõem umas às outras. Esta pesquisa também se justifica pelo necessário esforço de analisar as relações entre Maçonaria e movimento operário, durante a Primeira República. Everardo Dias e outros maçons, como Cristiano Cordeiro, fundador do PCB, engajaram-se na defesa das reivindicações operárias e inclusive do socialismo. Priorizando o espaço da imprensa para defender direitos dos trabalhadores e a superação das formas de opressão que permeavam a sociedade na Primeira República, é possível identificar se a Maçonaria, como instituição, encontrava-se orientada nesse sentido e, caso sim, quais foram suas ações no sentido de apoio às lutas operárias. Esta pesquisa estrutura-se em quatro capítulos, que buscam, apropriando-se dos diferentes níveis do conceito de afinidade eletiva, discutir o processo de aproximação e afastamento dos setores políticos e sociais com os quais Everardo Dias manteve algum tipo de relação, durante a Primeira República. Serão analisados o jornal O Livre Pensador, o processo de expulsão e o exílio ao qual foi submetido Everardo Dias, o processo de articulação do Grupo Clarté no Brasil e, por fim, sua relação com o PCB.

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