O macaco louco dentro de sua cabeça e a meditação

“A mente pensante, o ego, o “eu”, são todos a mesma coisa. Eles são nomes diferentes para a mesma coisa, a qual é uma ilusão. A natureza da mente-macaco é saltitar e tagarelar. Ego é a mente pensante. A mente é apenas uma coleção de pensamentos, ou uma coleção de impressões que formam este “eu”, esta auto-imagem.”
— Ramesh Balsekar

O macaco louco dentro de sua cabeça e a meditação
mente-macaco-louco

 

 
Se o macaco louco dentro de sua cabeça está pulando por toda a parte, isso é maravilhoso! Somente observe o macaco louco pulando. Cada pulo, Cada pensamento, cada distração, cada objeto sensorial é um suporte para a meditação. Se você se vir lutando com várias distrações, pode utilizar cada distração como um objeto de meditação. Então, elas deixarão de ser distrações e se tornarão suportes para a prática de meditação.

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O underground da espiritualidadeMas ele também nos advertia para não tentar nos ligar a cada pensamento quando surgir. Não importado que passasse pela mente, deveríamos somente observá-lo vir e ir, suavemente e sem apego, da maneira como praticamos gentilmente repousar nossa atenção em formas, sons ou cheiros.

 
Observar os pensamentos é como correr para pegar um ônibus. Assim que você chega ao ponto, o ônibus já está saindo, então você precisa esperar o próximo ônibus chegar. Da mesma forma, muitas vezes há uma lacuna entre os pensamentos — ela pode durar só uma fração de segundo, mas mesmo assim, há uma lacuna. Essa lacuna é a experiência da total abertura da mente natural. Então, outro pensamento aparece e, quando desaparece, há outra lacuna. Então, outro pensamento vem e vai, seguido de outra lacuna.
 
O processo de observar seus pensamentos continua da seguinte forma: pensamentos seguidos de lacunas, seguidas de pensamentos, seguidos de lacunas. Se você mantiver essa prática, gradualmente as lacunas ficarão cada vez mais longas e sua experiência de repousar a mente como ela é se tornará mais direta. Assim, há dois estados básicos da mente — com pensamento e sem pensamento — e ambos são suportes para a meditação.
 
No começo, a atenção aos pensamentos sempre se dispersa. Tudo bem se isso acontecer. Se você descobrir que sua mente está se dispersando, permita-se conscientizar-se de que sua mente está divagando. Até as divagações podem se tornar um suporte para a meditação se você permitir que elas sejam gentilmente permeadas por sua consciência.
 
E, quando você subitamente lembrar: “Ops, eu deveria estar observando meus pensamentos, deveria estar me concentrando na forma, deveria estar ouvindo os sons”, simplesmente conduza sua atenção de volta ao que deveria estar fazendo. O grande segredo desses momentos de “ops” é que eles são, na verdade, experiências em frações
de segundos de sua natureza fundamental.
 
Seria bom ater-se a cada “ops” que você vivenciar. Mas você não pode. Se tentar, eles se cristalizam em conceitos — idéias sobre o que o “ops” deveria significar. A boa notícia é que, quanto mais você praticar, mais “ops” poderá vivenciar. E, aos poucos, esses “ops” começam a se acumular, até que um dia o “ops” se torna um estado de espírito
natural, uma liberação dos padrões habituais de fofoca neuronal que permite que você observe qualquer pensamento, qualquer sentimento e qualquer situação com total liberdade e abertura. O “ops” é uma coisa maravilhosa.
 
Então, agora, tente praticar o “ops” conduzindo a atenção para os seus pensamentos como suportes para a meditação. Como em qualquer outra prática, é importante que, no início, você se limite a permitir que sua mente repouse na consciência sem objeto por alguns momentos e só depois passe a observar seus pensamentos. Não tente praticar por muito tempo. Dê a si mesmo alguns minutos.
 
Primeiro, apenas repouse sua mente por um minuto…
 
Então, deixe a mente se conscientizar de seus pensamentos por talvez dois minutos…
 
E repouse sua mente novamente por um minuto…
 
Quando terminar, pergunte a si mesmo como foi a experiência para você. Você teve muitos “ops”? Você foi capaz de ver seus pensamentos com muita clareza? Ou eles eram nebulosos e indistintos? Ou eles desapareciam no ar assim que você tentava olhar para eles?
 
Quando ensino essa prática em palestras e depois faço perguntas sobre as experiências das pessoas, obtenho várias respostas diferentes. Algumas pessoas dizem que, quando tentam observar seus pensamentos, eles se esquivam. Eles desaparecem instantaneamente ou não surgem com muita clareza. Outros dizem que seus pensamentos se tornam muito sólidos e claros, aparecendo em suas mentes como palavras, e são capazes de observar os pensamentos vindo e indo sem muito apego ou perturbação.
Agora, vou lhe revelar um grande segredo: não há segredo! Ambos os extremos que as pessoas descrevem — e todas as variações entre eles — são experiências de meditação. Se tiver medo de seus pensamentos, você lhes está dando poder sobre você, porque eles parecem tão sólidos e reais, tão verdadeiros. E, quanto mais medo você tem deles, mais poderosos eles parecem ser. Mas, quando começa a observar seus pensamentos, o poder que você lhes concede começa a diminuir. Isso pode acontecer de duas formas.
Algumas vezes, como mencionado antes, se você observar seus pensamentos com proximidade, começará a notar que eles aparecem e desaparecem muito rapidamente, deixando pequenas lacunas entre eles. No começo, a lacuna entre um pensamento e o próximo pode não ser muito longa; mas, com a prática, as lacunas ficam cada vez mais
longas e sua mente começa a repousar com mais tranqüilidade e abertura na meditação sem objeto.
Em outros momentos, a simples prática de observar os pensamentos se torna algo com assistir à televisão ou a um filme. Na televisão ou na tela de cinema, várias coisas podem estar ocorrendo, mas você não está no filme ou na tela da televisão, não é mesmo? Há algum espaço entre você e o que você está assistindo. Quando você pratica a observação de seus pensamentos, pode na verdade vivenciar a mesma espécie de pequeno espaço entre você e seus pensamentos. Na verdade, você não está criando esse espaço, porque ele sempre esteve lá; você está meramente se permitindo notá-lo. E, por se tornar consciente desse espaço, você pode de fato começar a gostar de observar seus pensamentos — mesmo se eles forem assustadores — sem estar imerso neles ou ser controlado por eles. Somente deixe os pensamentos se movimentarem como sempre fizeram, como adultos observam crianças a brincar — construindo castelos de areia, simulando batalhas com soldados de brinquedo ou engajadas em outros jogos. As crianças estão intensamente envolvidas em suas atividades, mas os adultos se limitam a observar e riem afetuosamente de sua seriedade.
 
do livro A Alegria de Viver de Yongey Mingyur Rinpoche

 

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