Estado, Mídia e Polícia: a tríplice aliança promotora e mantenedora da violência

Vivemos envoltos em um discurso que diz que a violência tem origem no fatalismo da desigualdade, o que causa verdadeiro horror a manutenção da ordem da sociedade, assustando quem reivindica seus privilégios, ainda, até de quem não possa tê-los. Isto é apenas reservado a uma minoria sustentada nos juros das dívidas dos que almejam tal e tal status. Quantos desejam ser os Reis e Rainhas do Camarote?
Quanta barbárie se esconde por detrás da ostentação da riqueza dos donos do Brasil: A barbárie que malogra a felicidade das pessoas de bem dessa sociedade? Não tenho muito o que falar sobre a criminalização da prosperidade, se posso assim me referir, sei que ela tem, de longe, muitos defensores. Mas vamos falar de violência que passa na televisão.
Talvez tenhamos dois problemas: um, identificar a origem dessa violência; dois, achar uma solução para ela. Mas não vou procurar responder tais questões. Sei apenas o que é de senso comum.
Para alguns a solução é “bandido bom é bandido morto”; a origem desse discurso é o modelo de vida dos pobres, afinal, é perceptível nos formadores de opinião de massa a repetição de uma intensa mensagem, focada e violência e morte, geralmente no horário de almoço, dentro da programação da TV aberta brasileira. Brasil Urgente, Patrulha da Cidade, Balanço Geral, Cidade Alerta, Sem Meias Palavras. Nada mais caricato.

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A violência na televisão se apresenta pelo viés do entretenimento. Os seus apresentadores e protagonistas, os “oficiais da lei”, são sempre bem animados em mostrar a realidade como ela é. Não vemos UPPs, a polícia subindo o planalto central, muito menos a exemplo, o Palácio da Guanabara no Rio de Janeiro para fazer valer a verdadeira justiça social.
O que não ser mais manifesto dentro da democracia que a escravidão voluntarizada apreendida como valores morais impostos socialmente, reproduz a conservação de privilégios, ou mais vale dizer, de violências e repressão. O Estado apoia esta violência através da Justiça. De um lado temos a polícia, que executa a ação penal e do outro a mídia, agente publicitário dessa versão de realidade.
Quando a violência apontada como oriunda das favelas, das periferias, aparece nas mãos autênticas do Estado?
Eu sou agente do Estado, estou representando o Estado, diz o policial.
O “bandido”, porque nunca será vítima, que passa no programa policial na hora do almoço é aquele que se soma as dezenas de milhões de vítimas desse sistema social. Hipocrisia?
Não raro, as histórias daqueles que resistem provocando caos e pânico ao status quo da classe dominadora; e os passivos contribuidores desse sistema, fardados ou não, se cruzam. O policial está na guerra contra o crime; os programas sanguinários na hora das refeições dos brasileiros também estão.
O “bandido”, nessa história é anônimo até que se coloque para o mundo como criminoso, e mais um número de processo em presídios superlotados.
O policial, crê na ordem, que é sua ação, seu mandamento. A mídia põe na sua ação a fé pública, publiciza a ação efetiva do Estado, representada não pela garantia dos direitos humanos, mas pelas mãos da sua milicia política. O Estado não é neutro, representa interesses bem claros, quando observamos os financiamentos de campanhas políticas.
A programação dos jornais policialescos é tão apelativa para cobrar mais força e rigor do Estado, que esta eficiência para existir exige cada vez mais uma polícia capaz, equipada na perseguição do crime. Nesses programas, comumente vemos a defesa da pena de morte, da redução da maioridade penal; – mesmo que velada – do linchamento.
Essa programação é líder em audiência; seus animadores apesar da quase total ignorância em relação aos direitos humanos, pela influência e carisma, se elegem também eleitoralmente dentro das pautas heroínas que dizem defender.
Vivemos hoje o exílio da democracia. O fascismo em nosso tempo é algo bem mais sofisticado. A violência também. O Estado, Polícia e Mídia é uma combinação perigosa para quem ousa defender a radicalização da democracia, dos direitos sociais e humanos; e para quem é jovem, negro, e pobre, e teve sua vida marcada por gerações de inúmeras violências.
E aquela mesma polícia de 64; continuam também com o aval de promotores de Justiça, juízes, ministros, prefeitos, policiais. Esses são os autoproclamados agentes de nosso “Estado democrático de direito”. Na mídia tradicional, eles encontram até hoje cobertura, inclusive sendo donos das concessões dos veículos midiáticos, igualmente no Congresso e em seus currais eleitorais.
Os cidadãos de bem se resumem nas cidades apenas aos donos de carros engarrafados no
Manifestação em rede do social do promotor de justiça, Rogério Zagallo, do Ministério Público de São Paulo(SP)
Manifestação em rede social do promotor de justiça, Rogério Zagallo, do Ministério Público de São Paulo(SP)
trânsito (não por culpa do inocente carro deles) em virtude de manifestações, do “vandalismo” de comunidades que tem seus jovens mortos . “Cidadãos de bem”, como alguns juízes ou promotores que aparecem dizendo em sua rede social que arquivaria os processos de policiais que matassem ativistas do movimento contra a exploração do transporte público em São Paulo(SP).
Hoje as ruas se expressam como campos de batalha; também, lugar de fúria das periferias. A Polícia, a mídia tradicional, os representantes políticos ainda não passaram por tudo que deveriam ter passado em junho de 2013 nesta guerra comunicativa.
2014, é ano de exultação de privilégios e manifestação das tensões que se acumulam há longa data, reservada agora, não a construção de um novo Brasil, mas a transformação do que está posto para assim avançar e transformar.

Fonte: http://www.coletivoecos.com/estado-policia-e-midia-triplice-alianca-promotora-da-violencia/

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