Ver flores em quem insiste em ser lixo é um ato revolucionário.

Flor de Liberdade

Ver flores em quem insiste em ser lixo é um ato revolucionário. É insurgência pura contra a lógica descartável do sistema, onde seres humanos são reduzidos a rótulos, a fracassos, a estatísticas de erro. A imagem, uma figura feminina com flores brotando da mente como uma floresta indomável, revela o que a sociedade teme: beleza brotando do caos, sensibilidade enraizada na dor, renascimento em meio aos escombros.

A estrutura quer que vejamos lixo, nos outros, em nós mesmos. Quer domesticar nossos olhos para que ignorem o broto, a pétala, a semente. Mas nossa visão recusa a lógica da utilidade. Ela olha para o excluído e vê potência. Vê arte onde há ruína. Vê flores onde há lixo; Vê poesia na lama. Porque toda vez que alguém insiste em se ver como resto, como erro, como lixo… é ali que a rebelião deve florir.

Amar o que é visto como indigno de amor é subversivo. Cuidar do que o mundo chama de perdido é sabotagem. É preciso coragem para enxergar flores onde todos veem cinzas, e mais coragem ainda para regá-las.

Porque no fim, quem diz que é lixo é o mundo que lucra com nossa autonegação.

Mas nós, anarquistas do afeto, insurgentes da empatia, escolhemos a contramão: vemos flores. Sempre flores.

Flores no Caos

No peito, cultivo o que o mundo descarta,
amor em semente, flor que não tarda.
Enquanto eles cospem veneno e enfado,
eu danço descalço no campo queimado.

Chamam de lixo o que é só ferida,
mas vejo universo pulsando em vida.
Nos olhos cansados, há luz que resiste,
na alma excluída, um sol que persiste.

Não sigo molduras, nem leis de concreto,
sou flor insurgente, raiz no deserto.
Se o mundo é prisão, eu sou o alarme:
brotar onde dói, é minha forma de arma.

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