Relação entre Diógenes de Sínope e Chaves

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Diógenes de Sínope mais conhecido como Diógenes, o Cínico, foi um filósofo da Grécia Antiga. Ele é apontado, em muitas histórias da Filosofia, como um filósofo que menosprezou, ostensivamente, os poderosos e as convenções sociais tendo como casa um barril e como vestimenta alguns trapos. Foi discípulo de Antístenes (que, por sua vez, havia sido discípulo de Sócrates), o fundador da Filosofia Cínica (lembrando que a palavra cínico tem outro sentido no âmbito filosófico). Como todos os demais cínicos, não valorizava o poder econômico e as convenções sociais, julgando ser necessário levar a vida mais simples possível.

Para demonstrar sua atitude de desprezo pelas convenções sociais, Diógenes tinha como casa justamente um barril e usava verdadeiros trapos como se fossem roupas. Perambulava por toda Atenas com uma lamparina acesa, mesmo sendo dia, afirmando a quem o interrogasse que procurava um verdadeiro homem: aquele que não se deixasse levar por uma vida sofisticada.

Muitas anedotas sobre Diógenes referem-se ao seu comportamento semelhante ao de um cão, e seu elogio às virtudes dos cães. Ao contrário da acepção moderna e vulgar da palavra para o cinismo, o objetivo essencial da vida era a conquista da virtude moral, que somente seria obtida eliminando-se da vontade todo o supérfluo, tudo aquilo que fosse exterior. Defendiam um retorno à vida da natureza, errante e instintiva, como a dos cães.

“Costumo fazer festa para quem me dá alguma coisa, rosnar para quem me rejeita, e cravar os dentes nos crápulas.”
– Diógenes de Sínope

Afirmavam que dispunha o homem de tudo que necessitava para viver, independente dos bens materiais.

A vida de Diógenes ficou associada a diversos episódios que expressam as suas ideias éticas, as únicas a que, segundo seu pensamento, merecem a importância dos homens de bem. A única forma de vida aceitável seria aquela associada à natureza, tudo o mais não passava de inutilidades.

Conta-se que Alexandre, o grande imperador da antiguidade, tinha grande admiração por suas ideias. Ao encontrá-lo, teria se oferecido para lhe dar um presente, bastando Diógenes dizer o que queria receber. O filósofo, entrementes, somente pede que Alexandre saia da sua frente, pois estava a lhe impedir de tomar sol. E teria acrescentado: Não me tire o que não pode me dar!

Em outra ocasião, Diógenes estava jantando seu costumeiro prato de lentilhas, quando Arístipos se aproximou. Arístipos, de Cirene, era também filósofo, adepto do prazer como único bem absoluto na vida. Para poder levar uma vida confortável, vivia sempre bajulando o Rei.

Disse, então, Arístipos a Diógenes: —Se aprendesses a bajular o Rei, não precisarias reduzir tua alimentação a um prato de lentilhas.

Por sua vez, Diógenes retrucou: — E tu, se tivesses aprendido a te satisfazeres sempre com um prato de lentilhas, não precisarias passar tua vida bajulando o Rei.

Diógenes vivia a perambular pelas ruas na mais completa miséria até que um dia foi aprisionado por piratas para, posteriormente, ser vendido como escravo. Um homem com boa educação chamado Xeníades o comprou. Logo ele pôde constatar a inteligência de seu novo escravo e lhe confiou tanto a gerência de seus bens quanto a educação de seus filhos.

Outro que morava num barril foi, é e continuará sendo um dos personagens mais carismático de um seriado de televisão, o Chaves. No programa, ele é um garoto órfão de oito anos, cuja origem é desconhecida. Muito pobre e simples também desprezava o luxo e as imposições sociais, preocupando-se apenas em correndo atrás de um pouco de comida e de doces. Seus brinquedos são confeccionados por ele mesmo, a partir de algum tipo de sucata. E o traço que, acredito, o torna tão especial: Chaves, apesar de morar num barril, é capaz de, com pouquíssimas coisas, levar uma vida extremamente feliz.

“Eu não moro no barril, eu só entro no barril porquê… bem, você sabe… pra… ”
“Só por esporte.”
“Isso!”
(Diálogo entre Chaves e Kiko)

Cada um ao seu modo, o personagem Chaves e o filósofo Diógenes, nos adverte, em tempos de inúmeras ofertas de falsas sofisticações, o quão é importante primarmos por uma vida mais simples, em harmonia com a natureza, onde valores como a amizade e o desprendimento sejam rotineiramente cultuados.

Fontes:
http://www.jmonline.com.br
http://www.chaveseafilosofia.blogspot.com.br

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