Existe alguma diferença entre Nacionalismo e Patriotismo?




Patriotismo e Nacionalismo São quase sinônimos.

Nacionalismo

O nacionalismo refere-se a tudo o que pertence a uma nação. Valoriza-se o que é produzido pela nação.

O que é Nacionalismo?


No nacionalismo você é um componente da nação.




“Nacionalismo ensina a odiar as pessoas que você nunca conheceu e ter orgulho das realizações que você não participou.” – Doug Stanhope

“O nacionalismo é um modo astuto de manter o sistema de pé, ele faz com que acreditemos que não existe outra forma de viver senão seguindo uma nação, senão elegendo um representante. Isso foi muito bem arquitetado pelo sistema e é deste modo que eles te manipulam a acreditar que seu papel nesta sociedade se resume em votar e policiar os candidatos para ver se eles fazem tudo que prometeram. Nem se eles fizessem tudo que prometem, um candidato pertence a um partido, defende interesses de uma parte da população, não da população, mesmo se exercer um bom papel de representante, não representa a todos! É um sistema de luta e embate, um sistema onde partidos batalham pelo poder, um sistema onde a vontade de um grupo tenta massacrar a vontade de outro grupo e o seu voto é a força motriz das engrenagens deste sistema podre!”

A prática nacionalista é inerentemente racista, o nacionalismo foi construído com base no racismo. O nacionalismo cria a percepção totalmente errônea do “estrangeiro”.

Anti-Nacionalismo

O Nacionalismo separa a humanidade e cria um campo de guerra entre as diferenças.
Os estados usam o nacionalismo com conceitos de “unidade” “nação” para criar uma espécie de “corpo nacional” onde todos tem a obrigação de defender e venerar, algo como “defender a pátria mãe” etc.

Esses conceitos camuflam muito bem o que esta por trás de “defender a pátria” ou a nação. Camuflam muito bem os interesses de domínio e expansão daqueles que possuem o poder. O nacionalismo é uma ferramenta usada pelos dominantes para criar uma espécie de sentimento de unidade numa sociedade dividida.

Tal ferramenta substitui o sentimento e o conceito de “comunidade” pelo conceito de “nação” e “amor à patria”.

A prática nacionalista é inerentemente racista, o nacionalismo foi construído com base no racismo. O nacionalismo cria a percepção totalmente errônea do “estrangeiro”.

O Nacionalismo foi algo usado em diversas épocas e de diversas maneiras diferentes, mas sua natureza é única, é criar um sentimento de unidade e de fidelidade a esta unidade. Mas tal unidade, é bom lembrar, é a unidade de uma sociedade dividida entre exploradores e explorados, e a fidelidade à pátria e à nação é a fidelidade a esta sociedade.

Como Fredy Perlamn colocou: “Nas pegadas dos exércitos nacionais segue a marcha do progresso. Esses exércitos patrióticos foram (e são) uma das maravilhas burguesas. Neles, lobo e cordeiro, aranha e mosca marcham juntos. Neles, proletários são companheiros de seus exploradores, camponeses endividados são amigos dos credores, o tolo é sócio do trapaceiro num empreendimento movido a ódio. Um ódio dirigido a potenciais fontes de capital, os ditos infiéis, selvagens, raças inferiores.”

A humanidade é uma só comunidade, com todas as suas diferenças e diversidade. Conceitos racistas e separatistas como o nacionalismo apenas nos afastam de entendermos e compreendermos que somos uma só comunidade, e que devemos compartilhar o mundo.

Nascer aqui ou ali é inevitável, mas vangloriar-se disto é uma limitação extrema e perigosa.

texto retirado do panfleto “Uma introdução a anarquia”


patriotismo
O patriotismo refere-se ao amor que pode ser transformado em defender, à custa da própria vida, a nação e o que a ela pertence. No patriotismo é seu amor pela pátria que a toma como se ela pertencesse a você. A pátria é entendida como sendo propriedade sua e de seus compatriotas.

De um ilustre escritor brasileiro, Ruy Barbosa, encontramos a seguinte definição de Pátria:

“A Pátria não é ninguém; somos todos, e cada qual tem no seio dela o mesmo direito à idéia, à palavra, à associação. A Pátria não é um sistema, nem o monopólio, nem uma forma de governo, é o céu, o sol, o povo, a tradição, a consciência, o lar, o berço dos filhos e o túmulo dos antepassados, a comunhão da lei, da língua e da liberdade.

Os que a servem são os que não invejam, os que não infamam, os que não sublevam, os que não desalentam, os que não emudecem, os que não acobardam, mas resistem, mas resignam, mas esforçam, mas pacificam, mas discutem, mas praticam a justiça, a admiração e o entusiasmo.

Porque todos os sentimentos grandes são benignos e residem originariamente no amor. No próprio patriotismo armada, a mais difícil da vocação e a sua dignidade, não está no matar, mas no morrer. A guerra, legitimamente, não pode ser extermínio, nem a ambição; é simplesmente a defesa.

Além desses limites, seria um flagelo bárbaro, que o patriotismo repudia”.

Uma ligeira análise à definição basta ver que não se mantém de pé perante a crua realidade dos fatos.

Duas noções estão ali confundidas, embaralhadas: a noção de Estado, de nação com suas fronteiras e sua leis e a noção de ambiente próprio de um indivíduo ou de um grupo, ambiente constituído pelo clima, pela terra, pelos costumes, pela língua, pelo caracter do povo, etc. Ora as suas moções não se identificam, antes raras vezes coincidem.

Já vimos, há poucos dias, que o amor, o apego com as raízes naturais, ao meio “em que se está bem” nada tem que ver com o nacionalismo, não se pode limitar por meio de fronteiras. As fronteiras são, como disse alguém, muito estreitas, tratando-se da solidariedade entre os homens; muito largas, se com elas se pretende determinar o lugar indefinido e variável, impreciso, em que cada indivíduo se sente bem, tem laços de afeto incoercível, livre, impossível de submeter a leis ou a imperativos categóricos. Não há dois indivíduos idênticos; entretanto ainda não se pensou em delimitar uma “pátria” para cada um, embora a propriedade privada seja um tanto isso… Ao menos em teorias reconhece-se que todos podem ser solidários. E são-no, com efeito, no mal ou no bem; por mais diferentes que sejam, os homens, os grupos, as comunas, os povos são solidários entre si, cada vez mais se influenciam reciprocamente. O bem e o mal de um refletem-se nos outros. A solidariedade não supõe a identidade das partes; é antes conseqüência da sua dissemelhança.

A diferença entre as duas noções acentua-se ainda, quando se examinam um por um os elementos que constituem o meio.

A língua, por exemplo, não é característica de uma pátria, limitada por fronteiras. Se fosse, portugueses e brasileiros deviam pertencer à mesma pátria, quanto à divisão em dialetos, ela dá-se dentro de cada país. Por outro lado, nações há onde são faladas várias línguas.

A respeito da raça, nem falemos; é o que há de mais incerto e embaralhado. Há países que contém todas as raças, separadas ou misturadas; a Rússia, a Áustria-Hungria, o Brasil etc., etc. Há maior afinidade entre o andaluz e um galego, ou entre um galego e um português do Minho? Entre um húngaro e um austríaco, ou entre um austríaco e um prussiano? Entre um napolitano e um veneto ou entre um veneto e um alemão? Etc., etc., etc.

O território também é diverso dentro do mesmo Estado, ao passo que as fronteiras não interrompem os terrenos da mesma natureza.

o mesmo modo os costumes não sofrem solução de continuidade nas fronteiras; zombam delas. Há muitas vezes maior comunidade de costumes entre os povos de diferentes Estados, do que entre províncias da mesma nação.

Falta examinar outro elemento da definição de pátria com fronteiras; a comunhão da lei e da liberdade. Em regra as leis são copiadas umas das outras; mas isso não importa; esta é um elemento superficial e ilusório. Num país não há comunhão de leis… quando não há comunhão de costumes, e sobretudo quando não há comunhão de interesses materiais e de força econômica, quando há privilégios.

São os costumes, a força da consciência coletiva, o impulso de baixo, as condições intelectuais, morais e materiais do povo que determinam as leis. A lei apenas consagra; não dá o que não está nos fatos. Uma comunhão deles é fato exterior, de superfície, meramente de forma, que não indica uma comunhão real.

Dentro do mesmo país, a mesma lei é aplicada diversamente conforme o adiantamento, a consciência, a organização, o poder de cada região, de cada cidade, de cada classe sobretudo. é uma verdade que já ninguém ousa desmentir, tão evidente é, que o rico e o pobre não são iguais perante a lei. A lei varia mesmo, na sua aplicação segundo os indivíduos.

A liberdade, econômica ou política, não é a lei que a dá; é o povo que a toma e a usa. Alei reconhece-a… a contragosto, tentando regulamentá-la.

Todas as liberdades que o povo ama, quer verdadeiramente e conscientemente, sabe conquistar e proteger, são reconhecidas pela lei, isto é, pelo poder político, quer este seja britânico ou alemão, brasileiro ou italiano, nacional ou estrangeiro.

as enquanto houver sobretudo distinção de classes, ricos e pobres, patrões e assalariados, dominantes e dominados, é pura ilusão a perfeita comunhão de leis e liberdades. A “pátria” não será de todos; nela não terão todos o mesmo direito à vida, nem à idéia, à palavra, à associação.

E é para defender tal pátria que o “patriotismo” se deve armar? Estará a dignidade em se resignar, em morrer por isso? Uma guerra de defesa! Bonita frase, justa mesma à primeira vista; mas que quer isso dizer?

Em primeiro lugar, é possível saber quando uma guerra é de defesa? Isso são puros segredos diplomáticos… Quando um grupo de industriais, comerciantes, banqueiros, militares, interessados, provoca um conflito, quando a diplomacia embrulha tudo e a “razão do Estado” tudo escurece, quando se toma por ofensa qualquer ninharia de honra, qualquer desconsideração ou falta de etiqueta, é lá possível conhecer bem os fatos? Que historiador poderá determinar com rigor a quem coube a defesa nas guerras entre a Turquia e a Grécia, entre a Espanha e os Estados Unidos, entre o Transwaal e a Inglaterra, entre a Rússia e o Japão? Todos esses países se declararam provocados, lançando as culpas do morticínio para cima do adversário, com muitos e bons argumentos. E em todos, o povo marchou armado em nome da “defesa da pátria”.

E depois, defender o quê? A propriedade? Mas os pobres não a têm; o próprio salário não lhes está assegurado; as suas condições não mudariam; venderiam sempre do mesmo modo os braços.

Os costumes? Mas quem pensa nisso? Se o povo é forte, imporá pacificamente esses costumes aos próprios vencedores; assim os chineses aos manchus. E tudo isso é muito relativo.

As magras liberdades? A reação militarista, se a pátria triunfar, talvez ainda as prejudique mais do que o domínio do estrangeiro, interessado em “governar” tranquilamente. E as liberdades tanto se usam a despeito destes como daqueles.

Em todos os casos, a guerra é um terrível mal; o povo sofre com o aumento dos impostos, de luto e de despotismo, no caso de derrota ou de vitória; em ambos os casos também lucram certos especuladores. Os ricos são fortes com qualquer governo…

Os pobres nada têm a defender; têm de conquistar tudo. Conquistar um mundo em que a terra seja para todos, em que todos produzam e consumam, em que os interesses verdadeiros sejam verdadeiramente comuns. E não ao estrangeiro, mas ao senhor, ao monopolizador dos meios de produção, aquele que governa os homens pela necessidade, os faz trabalhar ou descansar ao sabor do próprio ganho.

Em vez da guerra, mil vezes a revolução. E vencido o inimigo próximo, já todos terão que defender contra todas as invasões. Todos correrão à

defesa; não já para o bem de uma pátria com fronteiras, mas para bem de todos os homens solidários.

Não se correrá à fronteira para defender o “pavilhão nacional” e outras solenes mentiras; correr-se-á ao encontro do inimigo que pretenda forjar de novo os ferros da escravidão, como depois da Revolução Francesa. Então não eram os povos os inimigos; eram os traidores, os representantes do passado que a revolução expulsará, os “emigrados” e os “reis conjurados”().



Toma-se frequentemente na linguagem falada e escrita, um termo pelo outro sem grande prejuízo de entendimento, devido a abrangência de ambos. Há certa permeabilidade entre os termos, embora não sejam idênticos em sua totalidade.

Posso dizer observando uma maçã:
Este é um bem nacional ( Como produto)
Porém não posso dizer ao observar a mesma maçã:
Este é um bem patriótico (Como produto)

Em caso de guerra, o nacionalista se acovardaria e declinaria do dever de defender a nação enquanto o patriota se alistaria livremente e partiria feliz em defender sua terra e seu povo.
O patriota não necessita ser nacionalista por inteiro e vice-versa.

Moramos no mundo, nossa pátria é o mundo inteiro, nossa lei é a liberdade, sem raça, sem governo, sem fronteiras e sem religião!
sem fronteira, sem separação sem simbolos de segregação. uma luta humanitaria sem diferenças por causa de uma bandeira, viva o internacionalismo

Nós Anarquistas somos internacionalistas e AntiPatriótas!

Veja também: Um Patriota, Um idiota!

5 comments to “Existe alguma diferença entre Nacionalismo e Patriotismo?”
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  4. Sem regras democraticamente legitimadas e testadas pela tradição o que sobra é a selvageria, a lei do mais forte.

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