Aldous Huxley

Aldous Huxley

Aldous Leonard Huxley (Godalming, 26 de Julho de 1894 — Los Angeles, 22 de Novembro de 1963) foi um escritor inglês e um dos mais proeminentes membros da família Huxley. Passou parte da sua vida nos Estados Unidos, e viveu em Los Angeles de 1937 até a sua morte, em 1963. Mais conhecido pelos seus romances, como Admirável Mundo Novo e diversos ensaios, Huxley também editou a revista Oxford Poetry e publicou contos, poesias, literatura de viagem e guiões de filmes.

Foi um entusiasta do uso responsável do LSD como catalisador dos processos mentais do indivíduo, em busca do ápice da condição humana e de maior desenvolvimento das suas potencialidades.

Biografia

Faziam parte da sua família os mais distintos membros da classe dominante inglesa; uma vasta elite intelectual. O seu avô era Thomas Henry Huxley, um grande biólogo defensor da teoria evolucionista de Charles Darwin, tendo desenvolvido o conceito agnóstico. A sua mãe era irmã da romancista Humphrey Ward; a sobrinha de Matthew Arnold, o poeta; e a neta de Thomas Arnold, um famoso professor e diretor da Rugby School que acabou por se tornar numa personagem do romance “Tom Brown’s Schooldays”.

Estudou na aristocrática escola de Eton, que foi obrigado a abandonar aos dezesseis anos, devido a uma doença nos olhos que quase o cegou impedindo-o de continuar no curso de medicina. Mais tarde, ele recuperou visão suficiente para se formar com honra pela Universidade de Oxford, mas insuficiente para servir ao exército britânico durante a Primeira Guerra Mundial. Em Oxford, teve o primeiro contacto com a literatura, conhecendo Lytton Strachey e Bertrand Russell. Também se tornou amigo de D. H. Lawrence.

Em 1921, lançou “Crome Yellow”, o primeiro de uma série de romances e novelas que combinam diálogos emocionantes e um aparente ceticismo, com profundas considerações morais.

Viveu a maior parte dos anos 20 na Itália fascista de Mussolini que inspirou parte dos sistemas autoritários retratados em suas obras.

A obra-prima de Huxley, Admirável Mundo Novo (Brave New World), foi escrita durante quatro meses no ano de 1931. Os temas nela abordados remontam grande parte de suas preocupações ideológicas como a liberdade individual em detrimento ao autoritarismo do Estado.

No ano de 1937 Aldous Huxley mudou-se para Los Angeles e em 1938, no auge da sua carreira, chegou a Hollywood, como um de seus mais bem remunerados guionistas. Nessa fase, escreveu romances como “Também o Cisne Morre” (1939), “O Tempo Pode Parar” (1944), “O Macaco e a Essência” (1948).

O cinema para Huxley foi uma aventura tão fascinante quanto as suas descobertas e experiências com a mescalina, narradas em “As portas da percepção” (The Doors of Perception), de 1954, livro que exerceu certa influência sobre a cultura hippie que florescia, dando nome por exemplo à banda The Doors, embora o título seja oriundo de um verso de Blake. Os Beatles escolheram seu rosto entre algumas dezenas de grandes personalidades que figuram na capa do mais marcante álbum do quarteto, Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, com faixas polêmicas cujas letras evidenciavam afinidade com estados alterados de percepção. Paul McCartney admitiu em uma entrevista que Lucy in The Sky with Diamonds era uma canção sobre LSD. Huxley, muito embora, possuía preferências culturais e hábitos muitíssimo diversos do movimento hippie como um todo, abordava o universo dos psicoativos voltado à antropologia e à filosofia. Dois anos depois, viúvo, casou-se novamente e publicou “Entre o céu e o inferno”.

Morte

Nos últimos dias, impossibilitado de falar, Huxley escreveu um pedido à sua mulher para “LSD, 100 µg, intramuscular” (100 microgramas de LSD, aplicação intramuscular).2 Ela injetou uma dose às 11:45 da manhã e outra algumas horas depois. Ele morreu às 17:21 do dia 22 de novembro de 1963, aos 69 anos. As cinzas de Huxley foram enterradas no jazigo da família, no cemitério de Watts, casa de Watts Mortuary Chapel em Compton, uma vila perto de Guildford, Surrey, Inglaterra.

A cobertura midiática a respeito de sua morte foi ofuscada pelo assassinato de John F. Kennedy, no mesmo dia, assim como a morte do autor irlandês C. S. Lewis. Essa coincidência foi a inspiração para Peter Kreeft no seu livro Between Heaven and Hell: A Dialog Somewhere Beyond Death with John F. Kennedy, C. S. Lewis, & Aldous Huxley.

O único filho de Huxley, Matthew Huxley, é também um autor, professor, antropologo e proeminente epidemiologista. Aldous Huxley sobrevive também na figura de seus dois netos.

“O homem que pretende ser sempre coerente no seu pensamento e nas suas decisões morais ou é uma múmia ambulante ou, se não conseguiu sufocar toda a sua vitalidade, um mono maníaco fanático.”
Aldous Huxley

 

Obras publicadas

1920 – Limbo, contos de estreia
1921 – Crome Yellow (Cromo amarelo), romance
1923 – Antic Hay (Ronda Grotesca), romance
1926 – Two or Three Graces (Duas ou Três Graças), contos
1928 – Point Counter Point (Contraponto), romance
1932 – Brave New World (Admirável Mundo Novo), romance
1936 – Eyeless in Gaza (Sem Olhos em Gaza), romance
1937 – Ends and Means (Despertar do Mundo Novo), ensaios
1939 – After Many Summers (Também o Cisne Morre), romance
1941 – Grey Eminence (Eminência Parda), biografia romanceada
1943 – The Art of Seeing (A arte de ver), ensaios
1945 – Time Must Have a Stop (O Tempo Deve Parar), romance
1946 – The Perennia Philosophy (A filosofia perene), ensaios
1949 – Ape and Essence (O Macaco e a Essência), romance
1952 – The Devils of Loudun (Os Demônios de Loudun)
1954 – The Doors of Perception (As Portas da Percepção), ensaios
1956 – Heaven and Hell (Céu e Inferno), ensaios
1959 – Brave New World Revisited (Regresso ao Admirável Mundo Novo), ensaios
1962 – Island (A Ilha), romance
1978 – The Human Situation (A Situação Humana), ensaios

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