Salvador Puig Antich

Salvador Puig Antich

Salvador Puig Antich (Barcelona, 30 de Maio de 1948 — Barcelona, 2 de Março de 1974) foi um anarquista catalão, ativo durante a década de 1960 e começo de 1970. Foi executado no garrote vil pelo regime franquista depois de ser julgado por um Tribunal Militar e considerado culpado pela morte de um guarda civil em Barcelona.

Salvador Puig Antich, executado pelo regime fascista de Franco, de 24 anos, 02 de março de 1974.

Anarquista militante do MIL. O MIL (Movimento de Libertação Ibérica), começou na década de 1970 para lutar contra o jugo do franquismo. Incluído Jean-Marc Rouillan & Oriol Sugranyes prato. Este movimento libertário de guerrilha urbana (principalmente assaltos a bancos) nunca derramou nenhum sangue.

Salvador Puig Antich foi preso 25 de setembro de 1973, poucos meses depois de um carro-bomba, e ficou gravemente ferido na cabeça. Um policial foi morto na confusão (aparentemente por um outro policial). No entanto, 07 de janeiro de 1974, a pena de morte foi considerada necessária contra o jovem militante, apesar de defeitos óbvios no caso. Manifestações exigindo a sua libertação ocorreu em toda a Europa (e tão distantes como a Argentina), e em Toulouse, França manifestantes entraram em confronto com a polícia em frente ao Espanhol.

Biografia

Família
Filho de uma família de trabalhadores da classe média, Salvador era o terceiro de seis irmãos. Seu pai, Joaquim Puig, tinha sido militante na organização Ação Catalã durante a Segunda República. Exilado na França no campo de refugiados de Argelès, foi condenado a morte quando retornou à Catalunha, recebendo um indulto no último momento.

Juventude
O jovem Salvador começou a estudar no colégio La Salle Bonanova até ser expulso por indisciplina. A partir dos dezesseis anos conciliava o trabalho em uma oficina com os estudos noturnos no Instituto Maragall, onde tornou-se amigo de Xavier Garriga e dos irmãos Solé Sugranyes (Oriol e Ignasi), todos eles futuros companheiros do MIL (Movimento Ibérico de Libertação).

Início da militância
Os episódios do Maio francês de 1968 e a morte do estudante Enrique Ruano na Direção Geral de Segurança em 1969 foram decisivos para que Puig Antich decidisse envolver-se na luta contra a ditadura franquista. Sua primeira militância se deu nas Comissões Trabalhadoras tomando parte na Comissão de Estudantes do Instituto Maragall, prontamente revolucionando esta organização com base nas teorias anarquistas que rechaçavam qualquer forma de vanguardismo e hierarquia dentro das organizações políticas e sindicais na luta da classe trabalhadora em favor da sua emancipação.

Universidade, serviço militar e incorporação ao MIL
Depois de ingressar na universade no curso de Ciências Econômicas, faz o serviço militar em Ibiza, onde trabalha na enfermaria do quartel. Uma vez licenciado, incorpora-se à nova organização MIL, integrando seu braço armado. Participa das ações do grupo (geralmente assaltos a bancos) como motorista. Os recursos levantados através dos assaltos são destinados ao financiamento de publicações clandestinas do grupo e também para ajudar as famílias de grevistas e trabalhadores detidos.

Puig Antich e seus companheiros se movem com facilidade no mundo da luta clandestina, viajando pelo sul da França onde se relacionam com velhos militantes cenetistas.

Em agosto de 1973, o grupo se reúne na França para celebrar o Congresso de Autodissolução do MIL. No mês seguinte, após um assalto ao escritório da Caixa em Bellver de Cerdanya tem início uma forte ofensiva policial contra os militantes do MIL.

Primeiro são presos Oriol Solé Sugranyes e Josep Lluís Pons Llobet, e, em seguida Santi Soler que, detido, interrogado e torturado, acaba por entregar os pontos de encontro clandestino dos seus companheiros. O próprio Santi Soler será utilizado como isca pela polícia para deter a Xavier Garriga e Salvador Puig Antich. A operação, cuidadosamente preparada, foi efetivada em 25 de setembro de 1973 em Barcelona. Os dois anarquistas são detidos e, junto ao porta do número 70 da rúa Girona, tem lugar um tiroteio no qual Puig Antich acaba ferido e um jovem guarda civil Francisco Anguas Barragán é morto.

Prisão e execução
Puig Antich é então encarcerado e acusado de ser o autor dos disparos que causaram a morte de Anguas Barragán, e posteriormente julgado no conselho de guerra e condenado a morte por um régime com sede de vingança pelo atentado contra a vida de Carrero Blanco. Por toda a Europa são organizadas manifestações pedindo a comutação da pena capital, mas Franco se mantém firme e não concede o indulto. Em uma cela da Cadeia Modelo de Barcelona em 2 de Março de 1974 às 9:40 horas da manhã, Salvador Puig Antich é a última pessoa da história da Espanha a ser executado pelo garrote vil.

Cinema, literatura e música
Em 2001, o jornalista catalão Francesc Escribano escreveu o libro Cuenta atrás. La historia de Salvador Puig Antich, no qual se propõe contar os fatos que levaram à execução de Puig Antich. Em Setembro de 2006, com um roteiro baseado no livro de Escribano, estréia o filme espanhol Salvador, protagonizado por Daniel Brühl e dirigido por Manuel Huerga.

Tanto o livro como o filme têm recebido fortes críticas por parte de antigos militantes do MIL, companheiros de militância de Salvador, que afirmam que ambos esvaziam de conteúdo político o personagem de Puig Antich, ao mesmo tempo em que dignificam falsamente as imagens de seu carcereiro, Jesús Irurre, do juiz militar que o condenou e dos membros da Brigada Político-Social da polícia franquista.1 2

O cantor Joan Isaac compôs a música “A Margalida” em homenagem a Puig Antich; Lluís Llach também dedicou a canção “I si canto trist” a sua memória, presente na trilha sonora do filme Salvador.

Fontes:
http://recollectionbooks.com/bleed/Encyclopedia/PuigAntich.htm

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