Paula Soares

Paula Soares

Paula Soares era madrasta de Maria Angelina Soares, e, por influência do também enteado Florentino de Carvalho, passou a participar do movimento anarquista. A casa das Soares, na Rua Brás Cubas, bairro Macuco, na cidade de Santos, foi transformada em local de encontros, reuniões e debates anarquistas. Em contrapartida, o pai de Florentino de Carvalho, muito católico, não apoiava as idéias do filho. Assim, ele encontrou na madrasta, Paula, e nos irmãos deste segundo casamento de seu pai, colaboradoras para a causa libertária. Em 1914, a família Soares mudou-se para o Brás, em São Paulo. Fixou-se na Rua Bresser, e em pouco tempo a modesta casa de Paula Soares foi transformada em pousada das anarquistas foragidas, desempregadas e das que estavam de passagem. Algumas buscavam abrigo, outras comida, e outras ainda endereços de companheiras. Foi ainda ponto de encontros, reuniões, redações de jornais, sala de aula para alfabetização, de sociologia e de anarquismo. Uma taramela de madeira era a fechadura da casa das Soares; a chave, um barbante amarrado numa das extremidades da taramela, atingindo o lado de fora por um orifício de um quarto de polegada, com um nó na ponta. Todas as anarquistas tinham “a chave”: era só puxar o barbante e a porta abria. Mas, quando a policia visitava o “lar da família Soares”, “os seus secretas” rondavam as mediações e o barbante era recolhido. As visitantes logo percebiam o aviso e se afastavam antes que as autoridades os surpreendessem. Em uma das reuniões que lá ocorreu, em agosto de 1922, entre as operárias da Fábrica de Tecidos Santa Branca, que haviam sido despedidas por reclamarem da redução do tempo de ida ao banheiro, decidiu-se que seria deflagrada uma greve geral no dia seguinte. Participou a operária Maria Alles, pouco conhecida, mas muito combativa. Em 1923, as Soares mudam-se para o Rio de Janeiro, e mais uma vez a casa desta família libertária se transforma em ponto de encontros, abrigo de foragidas, de reuniões.Com o falecimento de Paula Soares e dos companheiros de Maria Antônia Soares (Manoel Campos) e de Matilde Soares (Henrique Ramos) e a perseguição cada vez mais forte da ditadura sobre as anarquistas, interrompe-se aquele reduto ácrata. As prisões de Florentino de Carvalho também abalaram a estrutura da casa.

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