Maria Rodriguez

Maria Rodriguez

Vinda da Espanha, Maria Rodriguez chegou com seus pais a Santos, onde trabalhou como operária têxtil. Nos locais de trabalho e associações operárias, passou a ter uma convivência mais próxima com as anarquistas, e, algum tempo depois, participou de grupos de teatro social e lutou lado a lado durante as greves. Durante a greve nas Docas de Santos pelas oito horas de trabalho, desempenhou uma difícil tarefa. O movimento começou coeso, sob a orientação dos trabalhadores libertários. A polícia foi chamada rapidamente, tentando obrigar os operários indecisos a traírem as companheiras, buscando enfraquecer a unidade da greve e prender as “cabeças”. Foram enviados navios de guerra para garantir os direitos dos Grafée-Guinle e, com o reforço, a polícia, sob o comando de Ibrain Nobre, iniciou a repressão do movimento. Operários foram lançados nas ruas, inclusive muitos deles não eram empregados no cais do porto, embora estivessem de acordo com a greve e fossem solidários com os grevistas. A violência policial apavorou a população santista, principalmente as camadas mais humildes. Este fato pôs em perigo a vitória das doqueiras e, por extensão, a de todas as trabalhadoras, uma vez que a concessão das oito horas pela Cia Docas significava igual jornada para todas as assalariadas santistas. Foi neste ponto que as “cabeças” decidiram responder à violência com violência. Vivendo na clandestinidade, Julião e outros militantes produziram algumas poucas bombas caseiras, fazendo-as explodir em lugares estratégicos. O elemento de ligação entre os encarregados de jogar as bombas e de seus fabricantes, foi a valente operária Maria Rodriguez. Carregou as bombas numa velha cesta coberta
com palha. A jornada de oito horas para os operários de Santos foi conquistada. Apesar do êxito, os principais responsáveis tiveram de fugir de Santos: Antônio Julião, Antônio Ribeiro, Jacinto Amaro, Antônio Roux, Abel Cardoso e Diamantino Augusto. Maria Rodriguez continuou na cidade e nunca foi presa.

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