Inés Güida de Impemba

Inés Güida de Impemba

Conhecida como “la Negra”, Inês Guida de Impemba morreu em 28 de Maio de 1999, aos oitenta e quatro anos. Sua história começa em 1914, em meio a família numerosa de origem italiana, que vivia entre Sierra e Miguelete, em Montevidéu.

Foi essencialmente uma educadora e, antes mesmo de terminar os estudos secundários, deu aulas de piano. Algum tempo depois começou a trabalhar com a preparação dos meninos e meninas que saídos da escola primária tinham de fazer um exame obrigatório para ingressar no secundário. Começou com seus irmãos e irmâs e, pouco depois, passou ao bairro e círculo de amigos, incluindo os adultos que ela incentivava a retomarem os estudos, nos liceus noturnos.

Relembra Luce Fabbri, com a qual tinha estreita relação:
“(…) Assim a conheci eu, recém chegada ao país. Havia conseguido uma suplência no professorado de História e tinha a meu cargo um grupo numerosíssimo no Liceu Noturno de Vázquez Acevedo. Muitos destes quase sessenta alunos, que amiúde eram maiores que eu, haviam ingressado no Secundário graças às aulas de Inés, e falavam dela com cordialidade e respeito, como de uma amiga e, ainda, de uma autoridade cultural. Seus ex alunos eram, graças a ela, quase todos anarquistas. (…) Havia abraçado o ideal libertário com toda a força de sua convicção, uma convicção tão firme que lhe durou a vida toda.” Participava das reuniões de jovens libertários, com Fernández Correa, Valentín Martinez, Irma (sua irmã), e outr@s. Sua família se opunha a sua participação nestas reuniões noturnas e em outras atividades, que eram consideradas “impróprias para jovenzinhas”. Inés e seu companheiro, Impemba, abriram uma pequena livraria e, neste ano, o primeiro da Guerra Civil Espanhola, recebiam muitos livros, revistas, cartazes e cartas com notícias do que se passava. Não eram bons comerciantes, e
por isso a livraria fracassou. Deu aulas de Espanhol na Universidade popular, que funcionou por cerca de três anos, com professor@s que trabalhavam de graça. A instituição fechou por falta de
dinheiro para seguir pagando o local. O ensino passou a absorver grande parte de seu tempo. Em
sua passagem pela Universidade do Trabalho, interveio na estruturação de um novo programa para sua matéria. Pouco depois, na Seção Feminina de Ensino Secundário, foi uma das principais colaboradoras de Alicia Gayena, de critérios pedagógicos pautados pelo respeito à autonomia formativa do educando. Durante toda a sua experiência no ensino, buscou proteger a educação das inúmeras formas de autoritarismo que disputavam campo. Com a ditadura, foi demitida, jubilada e separada de seu filho, que foi para fora do país. Foi colaboradora da revista Opción Libertária, principalmente em sua difusão, mas se negava a escrever, insatisfeita com tudo o que escrevia.

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