Francisca Saperas

Francisca Saperas

Francisca Saperas foi companheira de Martín Borrás, primeiro diretor do jornal anarquista que circulou na Espanha, “Tierra y Libertad”, impresso em uma pequena prensa, situada na Barriada de Gracia. As filhas do companheiro Martín Borrás, Salud e Maria, que no momento da sublevação fascista de 18 de julho de 1936, entregavam a castigos nem as ameaças policiais e com naturalidade e cordialidade seguiam dando hospitalidade e solidariedade aos anarquistas. Muitas vezes tiveram de mudar de casa, e em diversos casos a medida foi inútil, pois a policia não perdia nunca sua pista. Em uma ocasião de intenso perigo, toda a família teve que emigrar para a França. Em setembro de 1893, depois do atentado realizado por Pallas na Gran Via de Barcelona contra o general Martinez Campos, a polícia, como era de hábito, invadiu a casa dos parentes de Francisca e de Martín, na qual supunham que ali se forjava todas as conspirações. Uma madrugada chegou até a casa a guarda civil. Imaginando que Martín Borrás pudesse fugir, eles cercaram todo o bairro. Francisca foi interrogada e disse que seu marido não estava em casa. Era verdade, Borrás era precavido, ao perceber a presença dos guardas, ele fugiu por uma galeria. Mas cometeu a imprudência de voltar de noite e, como sua casa continuava vigiada, foi detido. Martín Borrás foi preso acusado de participar do atentado contra Martinez Campos. Francisca Saperas esforçava-se para visitar o companheiro na prisão. O anarquista Cardenal, a ajudava bastante e acompanhou suas tentativas. Cansado das torturas que sofreu na prisão, Martín Borrás decidiu suicidar-se e deixou uma carta para a esposa e as duas filhas, que dizia no final: “Tenho a satisfação de ter me empenhado, por toda a minha vida, pela emancipação da humanidade”. Mais tarde Francisca Saperas se uniu a Ascheri, que foi fuzilado nos calabouços de Montjuich. Francisca e sua filha foram detidas e maltratadas por ordem expressa do chefe superior da policia, de nome Portas. Emigrou para Buenos Aires, na Argentina, depois para os Estados Unidos e por fim ao México, para em seguida retornar para a Espanha. Ela manteve relações com Teresa Claramunt, também anarquista; Teresa, ao regressar de Sevilla, em 1923, se hospedou em sua casa. Teresa Claramunt, sem dúvida foi uma militante pioneira que se interessou pela educação social da mulher na Espanha. Ela pertenceu ao grupo de mulheres de Barriada de Gracia que vinha atuando desde 1900. Deste grupo participaram destacadas escritoras como Angeles López de Ayala e Belén Sarraga. Depois de uma vida tão agitada e acidentada, Francisca ficou paralítica. Sua deficiência foi um pesadelo para ela, que morreu em 1933, com 82 anos de idade. Seu enterro foi marcado por inúmeras manifestações dAs companheirAs anarquistas de Barcelona. Salud Borrás, uma de suas filhas, depois de toda uma vida dedicada as idéias libertárias, vivia os princípios da revolução em um modesto sitio na rua Robador.

Deixe uma resposta