Antonio Conselheiro

Antonio-Conselheiro

Antônio Vicente Mendes Maciel, mais conhecido como Antônio Conselheiro, nasceu, em Quixeramobim, em 1830. Traído pela mulher, segundo a tradição, saiu pelo sertão arregimentando o povo com sua voz de devoto. Usava, nessas caminhadas, balandrau de brim azul e um bordão. Em todo lugar onde chegava, bem acolhido, permanecia por alguns dias; se era mal recebido, fazia como os antigos profetas dos tempos bíblicos. Tirava as sandálias dos pés e batia o pó da terra que havia pisado. A rainha Carlota Joaquina, por sinal, a mulher de D. João VI, quando partiu do Brasil para Portugal em 1821, fez a mesma coisa. Tirou as sandálias dos pés e, falando mal da terra que a acolheu com a família e os súditos portugueses, jogou o pó que nela estava no cais do porto. O mesmo pó que, no futuro, dizem os poetas, D. Pedro II, um de seus bisnetos, recolheu em um travesseiro quando foi expulso do Brasil e passou a viver como exilado na Europa.
A vida de Antônio Conselheiro, no entanto, foi muito mais sofrida do que a dos reis de Portugal, Brasil e Algarves. Passando de um vilarejo para outro e levando, no seu encalço, todas aquelas pessoas que, como ele, também não tinham onde ficar, acabou se asilando em uma região erma e solitária do interior da Bahia. Ali, em meio a um arraial que crescia a cada ano, Antônio Conselheiro chamou a atenção do Brasil para algo que ele ainda não havia prestado a atenção: o interior do País. Temendo que a Monarquia voltasse a imperar novamente porque, dentre as prédicas do Conselheiro, estava esta afirmação de que a Monarquia havia de retomar o seu lugar, a República, recém-implantada, ficou preocupada. Dando a atenção a boatos que chegavam de Salvador de que se estava preparando uma revolução contra a República em Canudos, o Governo Federal manda o exército para lá. Derrotado por duas vezes, mandou o Coronel Moreira César, considerado herói por ter reprimido a revolta da Armada e a revolução Federalista, resolver o problema. O coronel foi, mas morreu em seguida.
Assustado com a situação, o governo revidou com mais força ainda. Euclides da Cunha, que tinha sido mandado a Canudos pelo jornal O Estado de São Paulo, acompanhou todo o desenrolar da contenda. No início, quando chegou a Canudos e viu o exército de um lado e o reduto de Antônio Conselheiro do outro, pensou que havia, de fato, uma revolução em curso. Com o tempo, porém, percebeu o engodo no qual estava metido e mudou de opinião. Passou a defender a suposta revolução (ainda que não tenha se indisposto contra os soldados) e chamar a atenção para aquele mal entendido. Mas já era tarde. A fúria da guerra tinha chegado ao seu auge e nada impediu mais que o exército, derrotado várias vezes e, por isso mesmo, ferido em seus brios, fosse até o fim com aquela aventura que, quando acabou, segundo Euclides da Cunha nos Sertões, havia cinco mil homens de um lado – os do exército – e apenas dois do lado de Canudos – um velho e uma criança.

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