Anti-Militarismo e Anarquismo

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Militarismo ou Ideologia Militarista é a ideia de que uma sociedade é mais “bem servida” quando governada ou guiada por conceitos incorporados na cultura, na doutrina ou no sistema do monopólio das forças. Militaristas sustentam que a segurança é a mais alta prioridade social, e alegam que o desenvolvimento e a manutenção do aparato militar assegura essa segurança.

Anti-Militarismo e Anarquismo

Em todos os países, sem exceção, as forças armadas acumularam um poder gigantesco que se projeta em todo o emaranhado político da sociedade contemporânea, apesar de um forte conflito interno de interesses; e parecerem impraticáveis as ditaduras militares à moda antiga nas modernas sociedades industriais. Os controles políticos passam por outras instâncias. Os profissionais da violência mudam no ritmo da constante transformação da tecnologia de guerra, embora a imagem que o povo tem do soldado profissional seja anacrônica. As pessoas, inclusive as politizadas, preferem permanecer desinformadas e de um modo geral vêem os oficiais superiores das forças armadas como pessoas que tomam decisões políticas e muitos gostariam de ver seus filhos seguindo a carreira militar, principalmente nos EUA, porque uma elite, dentro da profissão, detêm o poder real e potencial de exercer controle sobre o comportamento dos outros.

Um exemplo é o Regulamento de Contingências para o Exército
e a Marinha do Brasil de 100 páginas com 315 artigos, muitos divididos em par·grafos que devem ser cumpridos à risca. O capítulo I começa com os sinais de respeito assim:

1) Todo militar deve aos seus superiores obediência e respeito como tributo à autoridade de que se acham investidos pela lei.

2) As provas de disciplina devem ser manifestadas em todas as circunstâncias de tempo e lugar, por atitudes e gestos precisos, rigorosamente observados.

3) A espontaneidade e a correção dos sinais de respeito são índices seguros do grau de disciplina de uma corporação militar, bem como da educação profissional e moral dos seus elementos, pois são homens de músculos flexíveis e bem educados moralmente são capazes de cumprir com perfeição, elegância e boa vontade esta parte do dever militar.

4) Nas escolas, navios, corpos de tropas e estabelecimentos militares ou navais, deve haver maior empenho em que os sinais de respeito regulamentares se transformem em atos reflexos, mediante cuidadosa instrução e continuada exigência.

Do artigo 288, que ocupa quase uma página, sobre cerimônias de compromisso destacamos o seguinte:
“O oficial presta em voz alta e pausada o seguinte compromisso: Perante a bandeira e pela minha honra, prometo cumprir os deveres de oficial do Exército e dedicar-me inteiramente ao serviço da Pátria.”

Toda uma ideologia contribui para a formação psicológica do profissional militar: a ideia da pátria, o culto e as cerimônias com a bandeira, os hinos, honras aos oficiais superiores, honras funerais, as insígnias, etc. São elementos de um ritual que conforma a submissão e a lealdade ao poder constituído, seja qual for e a própria hierarquia. O subordinado se humilha ante o seu superior e humilha o seu inferior, do chefe supremo até o recruta sobre quem cai o peso da deformação que o sistema faz da condição humana. O recruta não tem a quem humilhar…

Leia Tudo: Anti-Militarismo e Anarquismo de Jaime Cubero

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