Anarquismo X Socialismo


É muito comum a confusão entre Anarquismo X Socialismo e suas semelhanças, que na verdade são poucas ou nenhumas.

O Socialismo utópico, criado por Saint-Simon, imagina uma sociedade ideal, no entanto, não informa as maneiras para alcançá-la. O Socialismo Científico, teoria desenvolvida por Karl Marx e Friedrich Engels baseada no materialismo histórico, está voltado para a organização do proletário e para realização de uma revolução.

Karl Marx definiu o socialismo em duas classes:

– Socialismo autoritário;
– Socialismo libertário;

Ambos socialismos defendem teorias de organização econômica advogando a administração e a propriedade públicas ou coletivas dos meios de produção e distribuição de bens e de uma sociedade, ou seja, sempre existirá a presença de hierarquias e Estado.

Em Cuba o socialismo integrou-se no país como forma de reestruturação política, esse vivia uma ditadura que foi abolida com o apoio norte-americano, então surgiu um novo estado firmado em políticas semelhantes às da União Soviética e Leste europeu, mas com o declínio soviético a partir de 1991, Cuba afundou em uma interminável crise, sofrendo, inclusive, embargos econômicos.

Exemplos de Socialismo? Cuba, China e Coreia do Norte

Exemplo de Anarquismo?? Christiania é uma cidade anarquista, independente e autogestionada, inventando um jeito novo de conviver com os problemas da vida comunitária.”

Engels afirmava que “O Estado moderno, qualquer que seja a sua forma, é uma máquina essencialmente capitalista, é o Estado dos capitalistas, o capitalista coletivo Ideal. E quanto mais forças produtivas passe à sua propriedade tanto mais se converterá em capitalista coletivo e tanto maior quantidade de cidadãos explorará. Os operários continuam sendo operários assalariados, proletários. A relação capitalista, longe de ser abolida com essas medidas, se aguça.” (do socialismo utópico ao socialismo científico).

Os socialistas acreditavam que a instalação do comunismo deveria acontecer por meio da formulação de um novo Estado controlado por trabalhadores. Seria por meio da chamada Ditadura do Proletariado que as etapas do desenvolvimento social e econômico culminariam na eliminação desse governo e a adoção de um regime comunista. Contrário a esse “novo Estado necessário” os anarquistas promoviam uma diferente compreensão. 

Na visão anarquista todo e qualquer governo tinha como fim último legitimar uma nova classe no poder e cercear as liberdades individuais. Por isso, a Ditadura do Proletariado era vista pelo ideal anarquista enquanto uma mera reprodução dos Estados Liberal-Burguês ou Absolutista. Dessa maneira, conforme salientou Rosa Luxemburgo a Vladimir Lênin, uma ditadura do proletariado poderia muito bem se transformar em uma ditadura sobre o proletariado. Em resposta, muitos socialistas passariam a considerar o anarquismo como uma corrente contra-revolucionária. 

No entanto, os anarquistas levantavam a clara hipótese de que toda revolução em nome de “algo” ou “alguém” abre portas para um processo de exclusão. Na ótica anarquista, não se poderia colocar em condição suprema um determinado grupo mais capacitado à direção revolucionária. O estado de revolução deveria ser permanente, constante. Ao contrário de uma constituição oferecendo os direitos e os deveres, a população deveria se lançar à construção de associações libertárias onde o contrato social fosse permanentemente rediscutido. 

Dessa maneira, o pensamento anarquista possuía uma clara diferença à tônica socialista. Para os últimos, a revolução se dava com a tomada do Estado. Já os anarquistas queriam o fim do mesmo e, por isso, alertavam que um Estado socialista seria o início de um governo que não conseguiria abolir o autoritarismo de uma ditadura renomeada. A maior constatação empírica dessa crítica viria a acontecer com a experiência da Revolução Russa.

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